Atitudes Habilitadoras
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Atitudes Habilitadoras na Indústria 4.0 (Parte 4/4)

No último artigo da série, as três últimas competências do profissional da indústria 4.0: capacidade de abstração, processo ágeis e prototipagem e capacidade de análise crítica.

Se ainda não leu os artigos anteriores, veja antes deste último: 01, 02 e 03.

Simulação x capacidade de abstração

Simular significa imitar a realidade, através de modelos matemáticos e outros recursos computacionais, afim de avaliar os resultados que seriam obtidos sem ter necessariamente que criar algo real ou quanto não é possível criar algo real por limitações de custo, tempo ou outros recursos. A simulação permite testar hipóteses, verificar resultados, estimar interações em situações complexas onde uma simples equação não poderia expressar toas as interações existentes. Também permite repetir de forma aceleradas processos e interações, levando a avaliação de uma grande quantidade de opções antes de identificar a mais adequada para realização no mundo físico.

Fonte: https://www.pensador.com/frase/Njg4Njkx/

A competência equivalente da simulação é capacidade de abstração, que é a habilidade de imaginar cenários diferentes da realidade, visualizando-os e vivenciando suas possibilidades. Talvez pela facilidade de os meios tecnológicos entregarem um resultado visível ou mesmo palpável, essa competência tem andando em abaixa. Tem sido cada vez mais difícil (na experiência do autor) encontrar profissionais que consigam entender e discutir conceitos um pouco mais abstratos, ou lidar com situações que não vão além das coisas concretas que se tem a mão.

Um bloqueio à abstração é evitar pensar nos cenários negativos. Devido a um otimismo exagerado, ou ao “pensamento positivo”, muitas vezes cenários negativos são propositalmente desconsiderados e, quando acontecem, não há nenhuma prevenção ou plano B. Como diz o velho ditado: “espere o melhor, prepare-se para o pior”.

Outra forma de definir a capacidade de abstração é pela imaginação e criatividade. Conseguir lidar com situações e produtos enquanto ainda são apenas imaginação, combinar diferentes conceitos e experiências para gerar algo novo ou antever as possíveis consequências de uma ação. Num mundo cada vez mais complexo, ser imaginativo e lidar com conceitos abstratos é fundamental.

Manufatura aditiva x processos ágeis e prototipagem

A técnica de manufatura aditiva mais conhecida é certamente a impressão 3D. Essa tecnologia permite construir um produto depositando camadas e criando-o sem necessidade de moldes, ferramentas ou máquinas dedicadas exclusivamente para aquele produto. Dessa forma dois objetivos são alcançados: a fabricação customizada em escala (customização em massa) e a prototipagem rápida.

http://exameinformatica.sapo.pt/noticias/ciencia/2016-09-05-As-limitacoes-da-impressao-3D--Eis-as-respostas-de-um-investigador-do-Tecnico

Impressão 3D permite agilidade e flexibilidade. Assim com os produtos devem poder ser adaptar às demandas diferenciadas de cada cliente, sem comprometer a velocidade e o custo da produção em massa. Isso implica que não há (muito) espaço para melhoria contínua de processos, uma vez que essa continuidade não existe: o produto é sempre beta. Estamos numa época em que a velocidade da inovação é tamanha que não dá tempo de haver maturação, tudo está sempre em teste e se torna obsoleto antes de amadurecer.

Os profissionais da indústria do futuro devem então se acostumar com essa inconstância e uma das ferramentas para ajudar nisso são as metodologias ágeis. Sem querer entrar em detalhe, uma das características das metodologias ágeis é entregar sempre algum valor, mesmo implementando o mínimo de características e funcionalidades possíveis. E ir testando a medida que o usuário e o desenvolvedor entendem melhor o produto. Ou seja, não dá mais para esperar ter um processo com tudo certinho, testado e definido. É como fazer um molde de injeção, preparar a máquina, homologar lote piloto para enfim fazer 100 peças. Com impressão 3D e métodos ágeis sai mais rápido.

Outra competência associada a impressão 3D é a capacidade de prototipação. Prototipação em engenharia de produto é construir um modelo suficientemente fiel ao produto final de maneira que seja possível testá-lo nas condições de uso pretendidas e validar seu desempenho. Não só produtos, mas tudo mais pode ser prototipado: uma campanha de marketing, um processo novo, uma prática de RH, uma ideia de negócio. Prototipar implica em gerar a versão com as características mínimas/básicas do que se deseja testar (o famoso MVP) e colocar a coisa para rodar e verificar os resultados. Antes de gastar meses e milhões, antes de envolver muitas pessoas, antes de fazer planos e cronogramas baseados no achismo. Por isso, prototipagem e metodologias ágeis tem tanto em comum e são fundamentais para o profissional do futuro.

Big data e analytics versus capacidade e análise crítica

A quantidade de dados gerados pelos clientes e usuários das empresas em si já é uma grande riqueza para quem conseguir extrair conhecimento útil dessas informações. Fala-se muito de ciência dos dados com profissão do futuro, uma vez que saber analisar e criar estratégicas para análise desses dados é fundamental e não surge de forma sozinha ou automática.

De forma similar a competência de criar sistemas de análise do grande volume de dados, é necessário desenvolver um senso crítico ou capacidade de avalição. Analisar criticamente é conseguir extrais conhecimento útil dos fatos que permita tomada de ação. É enxergar o que importa de fato, qual a tendência que está se desenhando, o que não foi dito explicitamente, que conclusão pode-se tirar dos acontecimentos.

Essa competência, assim como a capacidade de abstração, tem sido deixada de lado (novamente, na experiência do autor) na formação profissional especialmente de nível superior. De um profissional com graduação, cuja ocupação é descrita muitas vezes como “analista” deve ser capaz de olhar para as informações à sua frente e tirar conclusões e tomar decisões, e analisar processos e buscar sua melhoria e correção. Simplesmente seguir o procedimento sem senso crítico não é função de “nível superior”, vale lembrar que na Taxonomia de Bloom a competência de “avaliar” está abaixo somente da de “criar” e acima de “análisar” e constituem “capacidade de nível superior”, enquanto habilidades associadas a seguir processos estabelecidos como “recordar”, “compreender” e “aplicar” são apenas capacidades básicas.

Fonte: http://missglauedu.weebly.com/taxonomia-de-bloom-e-tecnologia.html

Assim, desenvolver uma capacidade de análise crítica tem a ver com questionar os dados a sua frente, se eles estão coerentes com suas causas, quais suas consequências. Analisar criticamente um processo é determinar se ele está atingindo seu objetivo com eficácia ou tem sido cumprido mecanicamente. É muitas vezes apontar no trabalho dos outros e no nosso o que não ficou bom, com indicação do que e porquê pode ser melhorado.

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Concluímos aqui essa reflexão sobre competência dos profissionais da indústria 4.0. Esperamos ter despertado um olhar mais amplo para a desenvolvimento de competência que vão além das habilidades técnicas. Essas competências não são tão simples de treinar, daí a necessidade de uma busca constante de aperfeiçoamento que vai além de fazer alguns cursos rápidos. Exige também muita modificação nas instituições e cursos que preparam profissionais para o mercado, mas essa é uma reflexão para um próximo artigo. 

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Artigo escrito por: José Domingos Adriano
Fundador e CTO da Exsto Tecnologia. É investidor-anjo em algumas startups. Formado em engenharia de telecomunicações, tem especialização em gestão de projetos, MBA em automação industrial e cursa atualmente mestrado em telecomunicações. Suas áreas de interesse incluem inovação, empreendedorismo, educação em engenharia.

Este artigo está originalmente publicado no LinkedIn.

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