Atitudes Habilitadoras
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Atitudes Habilitadoras na Indústria 4.0 (Parte 3/4)

Nesse terceiro artigo, serão tratadas mais três competências do profissional da indústria 4.0: ser um cidadão do mundo, autonomia e percepção de realidade.

Se ainda não leu os artigos anteriores, melhor dar uma olhada para entender o que está sendo discutido: 01 e 02.

Computação em nuvem x ser um cidadão do mundo

Computação em nuvem (ou se preferir em inglês, cloud computing) nada mais é que utilizar recursos computacionais (processamento, memória, armazenamento, backup, etc) de servidores compartilhados em vez de utilizar os recursos de hardware próprio local. A vantagem da computação em nuvem é que, por serem compartilhados, esses recursos são mais baratos e podem ser facilmente alocados conforme as demandas do momento. Além disso, por estarem “na nuvem” as aplicações podem ser acessadas de qualquer lugar com acesso à Internet. Em resumo, seus dados e aplicações podem estar em qualquer lugar do mundo, e onde estão não tem importância.


Fazendo um paralelo com as competências profissionais, enquanto as aplicações devem ser em nuvem, os profissionais devem ser “cidadão do mundo”. Isso implica em duas coisas: primeira que as oportunidades de trabalho e desenvolvimento de carreira estão no mundo todo, não importa muito o país onde se nasce. No mercado global de trabalho importam muito mais as competências e habilidades do que a seleção para qual se torce na copa; isso também implica que a concorrência pelo emprego que se tem hoje também é global, não só porque um estrangeiro pode assumi-lo como também porque a empresa ou divisão pode mudar de país em busca de melhor competitividade ou perder mercado para uma empresa de outro lugar.

A segunda coisa, e mais importante, é que para jogar esse jogo em escala mundial, é preciso uma mende globalizada. Isso significa estar aberto ás diferença culturais, ser capaz de se adequar a diferentes culturas organizacionais, respeitando seus valores de origem. Também implica em ser capaz de se comunicar e colaborar em times distribuídos pelo mundo tudo, estar atualizado com as discussões e notícias internacionais. Num país grande como o Brasil essa competência as vezes é difícil desenvolver por falta de oportunidade de conviver com profissionais de outras culturas ou países, o que as vezes nos deixa presos a nossa forma nacional e as vezes até regional de fazer (até mesmo um cafezinho, como é explorado comicamente nesse vídeo.

Robôs autônomos x Autonomia

Esse ponto é fundamental, pois a disseminação do uso de robôs nas mais diversas funções vai acabar com milhares de empregos. A solução? Desenvolver a autonomia para não ser substituído por um robô autônomo. Robôs fazem trabalhos repetitivos e pré-programados, basicamente recebem ordens e seguem processos que alguém pensou por eles, de forma eficiente, é verdade, mas não são capazes de resolver problemas por si só.

A autonomia passa a ser uma competência cada vez mais importante, portanto. Aquele profissional que não é capaz ou prefere não dar um passo sem ordem de um superior ou chefe está com os dias contados. O futuro é dos profissionais capazes de se organizarem sozinhos, resolver problemas sem que alguém lhes diga o que fazer, se responsabilizar por riscos, erros e acertos. Isso também muda significativamente as estratégicas de gestão. Em um mundo que busca cada vez mais eficiência, não há mais espaço para gestores que micro gerenciam cada atividade do seu time, e menos ainda para aqueles cujo trabalho é só delegar e cobrar cada tarefa. Para obter os níveis de eficiência que se espera cabe ao gestor montar e treinar um time que consiga da conta do recado sozinho, dar ao time uma direção, isto é, um rumo e um motivo, e trabalhar como um facilitador da execução das atividades desse time.

Autonomia muitas vezes é entendido como sinônimo de liberdade. E é! E como a liberdade implica numa grande dose de responsabilidade e risco, que muita gente não está disposta a assumir, e prefere se esconder atrás de regras bem definidas e organogramas que possam ser usados como guia para quem passar a culpa. Esse ponto também é pouco trabalhado nas escolas que, de forma geral, não treinam responsabilidade e autonomia, mas sim obediência.

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Realidade aumentada e virtual x realidade e ilusão

Realizada virtual (VR) é quando se é introduzido em um mundo todo (ou quase todo) criado, perdendo conexão com o local onde se está; na prática isso hoje implica em usar algum tipo de óculos e fone de ouvido, de forma a isolar do ambiente ao redor e inserir no ambiente simulado. Realidade aumentada (AR), pelo contrário, é inserir no ambiente ao redor elementos criados que acrescentam uma “camada de realidade” a mais; na prática isso é feito adicionando esses elementos simulados a filmagem de uma câmera que se assiste em tempo real (como feito com celulares) ou projetando algo na frente do seu campo de visão (como nos óculos de realidade aumentada).

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Do ponto de vista das competências, a questão é: somos realmente capazes de perceber a realidade como ela é? Para a filosofia, a física e a neurociência a resposta é muito clara: certamente não! Nos termos de Schopenhauer, não podemos conhecer verdadeiramente a realidade, apenas uma representação da realidade. Fisicamente nossos sentidos só percebem uma pequena parte das propriedades de um objeto ou acontecimento, e nosso cérebro, com bases nesses estímulos, tenta montar uma representação minimamente coerente, juntando experiências e memórias; além disso, nunca podemos saber realmente o que se passa na mente de outra pessoa, seu humor, etc.

Sendo menos filosófico e mais prático: a questão é como fazer uma leitura mais correta da realidade nas situações profissionais, mesmo sabendo que não existe uma verdade absoluta. O que pode causar uma percepção falsa da realidade? Indicadores, por exemplo, se não bem desenhados e avaliados podem causar grandes enganos (é conhecida a história de certa operadora de telefonia que comemorou a queda no número de reclamações quando na verdade seus clientes estavam desistindo e cancelando antes mesmo de reclamar). A publicidade, mesmo em ambiente corporativos, muitas vezes é capaz de embrulhar como palavras bonitas e promessas produtos e serviços que não agregam nada aos negócios. Nossos preconceitos (sem mimimi, todo mundo tem algum tipo de preconceito, fomos criados em uma sociedade preconceituosa, quem acha que não tem preconceito nenhum é porque ainda não está consciente dos seus), nossas experiências (sempre fizemos assim e sempre deu certo), nossos egos, todos são criadores de engano. Como reduzir isso? Questione tudo. Questione cada promessa do seu fornecedor, peça provas. Questione os dados e conclusões de seus colaboradores e seus subordinados. Peça uma explicação mais detalhada quando um argumento do seu chefe não fizer sentido.

Outra forma de se aproximar mais da realidade é ser científico, isto é, se basear em dados e fatos, e não em opiniões. Muitas vezes a visão que as pessoas têm sobre acontecimentos ou processos está carregada de carga emocional e distorce a realidade (aquele cliente que foi mal-educado ao reclamar do produto vai ser lembrado mais facilmente que os cinco que elogiaram e os quinze que gostaram, mas não deram feedback). Além disso, faça experiência, teste suas ideias (veja sobre prototipagem no próximo artigo), explore alternativas. É assustador ver que muitos negócios são geridos na base do achismo e do peso da autoridade em vez de fatos concretos.

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No próximo e último artigo serão tratadas a capacidade de abstração,
as metodologias ágeis e o senso crítico.

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Artigo escrito por: José Domingos Adriano
Fundador e CTO da Exsto Tecnologia. É investidor-anjo em algumas startups. Formado em engenharia de telecomunicações, tem especialização em gestão de projetos, MBA em automação industrial e cursa atualmente mestrado em telecomunicações. Suas áreas de interesse incluem inovação, empreendedorismo, educação em engenharia.

Este artigo está originalmente publicado no LinkedIn.

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