Nesse segundo artigo, serão tratadas as primeiras 3 competências do profissional da indústria 4.0: Resiliência, Saberes integrados e Trabalho em Rede.

Ainda não leu o primeiro artigo? Melhor dar uma olhada aqui antes.

Cybersegurança e Resiliência

Uma forma de definir cybersegurança (cybersecurity) é como a capacidade ou propriedade de um sistema resistir a ataques externos, ataques estes com interesse de roubar dados ou causar danos a dados ou serviços de um sistema.

Buscando reflexo dessa propriedade nas atitudes pessoais, podemos identificar a resiliência como sua contraparte. “Resiliência” já é um termo emprestado da física, a propriedade de um material de retornar à forma original após sofrer a ação de uma força. Assim, no contexto das características pessoais, resiliência é a capacidade de “resistir à pressão sem entortar”.

Mas mais que “resistir à pressão”, profissional do futuro deve desenvolver a capacidade de não se abalar ou perturbar com os “ataques externos”. Por ataques pode-se considerar os baques que a vida dá, seja um colega de trabalho desleal, um chefe opressor, o fracasso de um projeto, assim como questões de ordem pessoal, como o fim de um relacionamento, doença em família, bullying, solidão, etc. É balela essa história de separar o profissional do pessoal: o ser humano é um só e, conscientemente ou não, um aspecto de sua vida influencia os demais. Acreditar no contrário é armar uma bomba relógios que uma hora ou outra vai explodir.

Diferente de fingir que um problema não existe é desenvolver a resiliência de não se deixar afetar por esse problema, seja ele “pessoal” ou “profissional” (para insistir uma última vez nessa separação ilusória). Essa habilidade é desenvolvida quando entendemos que tudo, de bom ou ruim, uma hora passa, e paramos de levar as coisas tão a sério. Essa prática vai levar também a perceber que o que há de bom (o sucesso de um projeto, um aumento, um novo amor, passar um tempo agradável com a família ou o que trouxer felicidade para você) também uma hora passa. A constatação dessa impermanência também aumenta a resiliência, pois parte do sofrimento vem do apego as coisas transitórias que nos trazem felicidade.

E por que a resiliência é uma competência importante? Porque a velocidade da mudança é cada vez maior e o grau de certeza é cada vez menor. A transitoriedade das coisas é sentida mais forte do que foi outrora. As oportunidades de sucesso e de fracasso se sucedem a cada dia, as razões para se alegrar e entristecer também. Então a capacidade de resistir aos ventos que te jogam de um lado para outro, é um ponto positivo para os profissionais do futuro. A inovação exige capacidade de assumir risco e lidar com fracasso, que fazem parte do processo de aprendizado. Não existe inovação numa zona de conforto e segurança. Assim, inovadores tem que ser necessariamente possuir resiliência.

Sistemas integrados x saberes integrados

Neste outro artigo discutimos como o conhecimento se constrói no sistema de ensino usual através da especialização enquanto a demandada profissional no mundo digitalizado é por um profissional de base conhecimentos gerais amplos e que saiba construir conexões entre diferentes saberes. Assim como deve haver uma integração dos sistemas no processo produtivo, tanto no horizontal (entre processos e setores) como na vertical (do chão de fábrica a direção), assim também o profissional deve buscar a integração dos saberes e experiências desenvolvidos ao longa da carreira na busca de soluções criativas e inovadoras.

Internet of Things x trabalho em rede

A internet das coisas (IoT – Internet of Thinks) pode ser definida como a rede formadas por sensores e atuadores que se comunicam entre si através da internet. É preciso entender que IoT não é apenas um sistema de comunicação máquina com máquina, de forma centralizada, com um nó ou controlador central. Trata-se de um sistema em rede, uma grande troca de informação em diferentes contextos e diferentes aplicações.

Trazendo para o contexto das competências profissionais, o foco é nas relações e formas de trabalho. Ainda existe um esforço para desenvolver um bom trabalho em equipe dentro das empresas, mas deve ser também pensar no trabalho em rede.

Por trabalho em rede devemos entender que as relações de trabalhos se darão de forma fluida, horizontalizadas. Em vez de hierarquias e relações de trabalhos de longo prazo, cada vez mais existirá contratos por demanda, relações que duram o tempo de projeto. Nesse ponto, deve existir um esforço de adaptação do estilo de trabalho a um modelo com menor grau de segurança e previsibilidade (vide Resiliência). Não parece improvável pensar um futuro onde a maioria da força de trabalho seja o que hoje se classifica como freelancer.

O trabalho em rede exige além da excelência técnica, capacidade de gestão de tempo, gestão financeira, marketing, em resumo, empreendedorismo. Essas competências nem sempre são desenvolvidas nos cursos superiores, ou são isoladamente quando estão no currículo de cada curso.


Artigo escrito por: José Domingos Adriano
Fundador e CTO da Exsto Tecnologia. É investidor-anjo em algumas startups. Formado em engenharia de telecomunicações, tem especialização em gestão de projetos, MBA em automação industrial e cursa atualmente mestrado em telecomunicações. Suas áreas de interesse incluem inovação, empreendedorismo, educação em engenharia.

Cadastre-se para receber a nossa newsletter:

Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Captcha obrigatório

Exsto Bancadas Didáticas para o Ensino .

Escrito por exstotecnologia

A Exsto Tecnologia atua no mercado educacional, desenvolvendo kits didáticos para o ensino técnico e tecnológico, nas áreas de eletrônica, elétrica, automação, telecomunicações, energias renováveis e outros.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.